terça-feira, 13 de junho de 2017

Durante toda a vida, temos que aprender a saber perder. Talvez por isso, não saibamos muito o que fazer, na hora de ganhar...

domingo, 5 de junho de 2016

Rafael Sonic - Trilha Infantil



No ano de 2006, eu mergulhei fundo no projeto musical que considerei, oficialmente, o meu primeiro trabalho como músico solo. Foram muitas faixas gravadas de uma maneira um tanto caótica, pois era muita coisa que eu não sabia se realmente daria conta, e que eu fazia juntamente com outros trabalhos, que eu também não sabia se daria conta (na época eu fazia jingles, trilhas diversas, e outras coisas que não lembro agora). No entanto, eu fazia música de manhã, à tarde, na madrugada, dormindo talvez, não sei, mas fazia, incansavelmente. Era uma vontade dessas que a gente não sabe de onde vem. Basicamente, me foi dada a missão de criar trilhas musicais para três peças de teatro infantil, e mais duas músicas de entrada e saída das peças e mais outra, para o evento de inalguração. As peças aconteceram na OCA (Oficina Cênica de Artes), no Shopping DC Navegantes, em Porto Alegre. A pessoa querida que me indicou foi Mely Paredes. Mely, muito obrigado por ter me proporcionado essa experiência, tu fez parte disso, era muito bom te encontrar naquelas tardes e bater papo, nunca vou esquecer... Contei com a ilustre e inusitada (como sempre) participação de Ândrio Maier Barbosa, nas músicas “Ambientação 2” e “A Casa Encantada, o Bosque”, e também teve uns baixos que o Ândrio adorava inventar do nada, além das mirabolantes programações em Fruity Loops, bem louco. com direito a papo cabeça, chimas e piadas ruins. Tive a alegria de conhecer Lucia Bendati, atriz e diretora de teatro, pessoa incrível, com quem muito aprendi. No ano passado, Lucia faleceu, e isso me fez lembrar muito dessa época.  Por isso, decidi dedicar, nessa postagem, todo esse álbum em homenagem a ela, que além de me orientar em todo o trabalho, dividiu comigo a composição das letras de “Música das Histórias” e “Música das Histórias 2 - (histórias contadas na OCA)”. Conheci ela pouco, mas o suficiente para ter na lembrança uma pessoa cheia de energia, de um humor fascinante, uma incrível facilidade de explicar coisas complexas e falar bobagens no meio do caminho. Com ela, aprendi que as crianças têm uma imaginação sofisticada. Coisa fina, sabe? Não são apenas “bobinhas”, e sim, criaturinhas que podem muito bem passar uma tarde bebendo chá e escutando Tchaikovsky, ou Neil Young... Vai saber? Minha mãe diz que eu gostava de Roberto Carlos, o Rei... Bom, para concluir, queria apenas agradecer a todos e todas vocês que participaram dessa aventura mágica. Lucia, que esse teu jeito esteja espalhado por aí, nas pessoas que te conheceram, muito ou pouco, ou que apenas te assistiram, enfim... Obrigado, Lucia! :)



Rafael Sonic - Trilha Infantil (álbum inteiro em formato .zip)

Capa

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Falta pouco para terminar 2015, e eu confesso: sinto falta da Simone.

Faz pouco mais de um mês que completei 32 anos, e alguma coisa me diz que agora tenho 30... Nesse ano pude constatar que não sirvo pra ninguém, mas sirvo muito pra mim. Eu entendi, finalmente, esse fracasso que já era evidente muito antes, e eu não quis acreditar, insistentemente eu tratei cada situação como "eventual", que tudo passaria e ficaria o aprendizado, a experiência de saber-se vencido por tudo e todos, tendo apenas o consolo de poder brincar com as cordas do violão e cantarolar minhas dores de maneira tosca, mas tomado de uma honestidade incontida, repetitiva, narrativa. Eu, que sempre analisa os fatos cantando, mas revivi os erros falando, agindo, tomando decisões que acabam gerando verdadeiras catástrofes emocionais. O poeta, como sempre, acaba fingindo que é dor, confunde-se, renova-se, e lá se vai cantar a mesma dor com outras cores e harmonias, outros sois, outros céus... Eu queria pensar que estou exagerando, queria acreditar que estou procurando "cabelo em ovo", mas na verdade eu já vi sim, um fio de cabelo levemente grisalho, encostado num ovo, e era meu. Esses fios tímidos que saltam do espelho até mesmo de minha barba, assinalando que o tempo agora vai me jogando como uma grande multidão descontrolada a me afastar de um ídolo... A solidão já não é mais apenas companhia, e sim, a estrada só de ida, para aquele "nada", lá adiante, essa tal "velhice", essa queda livre num posso escuro que parece não ter fundo... Eu me sinto apagado, e ao mesmo tempo ainda pulsando uma singela esperança, que é o desejo de estar errado, de estar fantasiando, até nisso...

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Ensaio sobre o raio que o parta.

Não se trata de pensamentos negativos. Não, é muito pior do que isso. O inferno, se existisse, seria a fábrica de maçãs do conhecimento, às quais teriam sido feitos tipos como eu, que seriam apenas como pequenos vermes que viveriam dentro dessas maçãs, feitos para testar a sua fé, no raio que o parta. O cocô pode se transformar em energia. Eu, não. As moscas têm lá sua importância nos mais diversos ecossistemas. Eu tenho uma importância parecida, uma vez que devo ser devorado, calmamente, em silêncio induzido. A alma, essa coisa brilhante, popularmente conhecida como "jeito", "impressão", entre outras analogias, é o sangue que carrega as pequenas camadas de gordura que dão sabor e vida ao banquete, notadamente uma festa, onde servem, em seus pratos ornamentais de estrondosa finura estética, uma pequena porção de guisado de minha pessoa. Talvez eu seja tão importante quanto as batatas (eu sei, você leu "baratas"). As pessoas gostam muito de batatas, mas não sentem tanta falta. Quando sentem, são vistas como "porcas". Quem dera, ora, as porcas, com toda a sua delicada coloração rósea, a calda atrevida, insinuante e meiga, tivessem algum apreço por batatas como eu. Sim, eu me transformaria em purê, diante de uma porca... As vacas? Não posso falar muito, pois eu sou uma. Sim, eu sou vaca, está comprovado. Procure no Google. Eu estou brincando, mas nem tanto. As pessoas precisam de uma razão para existir, e isso não tem tanto a ver com a existência plena, de toda a vida. Tem a ver, sim, com a "vida inteira", como a impressão primeira de cada dia. Uma vida inteira não seria, pois, a síntese das memórias registradas de todos os dias vividos? Eis um problema: talvez, o que chamamos de "vida inteira", seja algo restrito às limitações impostas à nossa memória, que não apenas é específica, relativa a cada indivíduo, mas também vigiada, moldada externamente, constantemente refém do ambiente, que raramente a reflete bruta, passível de transformações deliberadas de todo e qualquer significado que se queira ressaltar, ou abrandar, como se estivéssemos, o tempo todo, diante de um filme de nossas vidas que não conta exatamente o que cada pessoa acha importante contar, o que implica numa caótica troca de impressões, quase sempre equivocadas, de si e do outro, que evolui para outra troca de impressões ainda mais complexa, correlacionada com a primeira, que adapta o indivíduo à capacidade de interação em grupo, muitas vezes impondo, sem fazer alarde, uma visão extremamente distante da visão que o indivíduo aprendeu a ter de si, dia após dia, até o momento de se ver espelhado em grupo.  Assim, a timidez pode ser vista como arrogância, altivez, entre outros. A própria arrogância pode ganhar contornos positivos. Essas primeiras impressões errôneas, parecem apenas imaturas, mas na verdade são pequenas fagulhas que abrem portas para diversos preconceitos que, apesar de serem um tanto dúbios, são tão frequentes quanto quaisquer outros, como a ideia de que uma pessoa é feliz, ou triste, por exemplo, que é um tipo de julgamento primitivo de qualquer interação, à qual nem sempre estamos atentos, e que pode causar uma série de outros julgamentos e consequências desnecessárias, levando a exclusão social de um ou pouco mais indivíduos de um determinado grupo, o que, por sorte, nem sempre é muito mais do que uma exclusão temporária, na medida em que um mesmo grupo desenvolve diferentes conjunturas relativas às diferentes propostas de convivência que vão surgindo, gerando mais divisões, por ventura fazendo retornar ao grupo aquele, ou aquela, que teria sofrido a exclusão. Acredito que seja natural que grupos tenham fases de deformação, fragmentação, e, por fim, novas reformulações. No entanto, existem as divisões incautas, ou, mais especificamente, as que se baseiam na impressão equivocada, que podem gerar exclusões ainda mais pesadas para a pessoa que se sente excluída. Há, também, a possibilidade de que a própria pessoa que está se sentindo excluída seja, de fato, quem está alimentando uma impressão equivocada, e eu não tenho dúvida de que isso evolui exponencialmente, muito embora eu não queira explorar muito mais o assunto. O que sei, é que nesse complexo sistema de interações, muito sofrimento é ignorado, muito talento é deixado de lado, quando não apenas mal direcionado, e, o que mais me assusta, muita intolerância, é tolerada. E esse texto? Ora, pode ser apenas mais uma série de impressões errôneas do mundo e das pessoas. Sim, contraditório, paradoxal... Uau! Alguém dirá que sou "lúcido"? Alguém dirá que sou apenas um chato a exercer o seu direito de "chorume", etc e tal? Alguém dirá "bem assim", como se fosse bem assim, mesmo? Será que cada pessoa tem, no íntimo de seus pensamentos, um pleno conhecimento que confere um determinado grau de lucidez, que pode ser detectado em qualquer discurso? Se sim, me manda o livro em pdf ou links do youtube e tudo o mais? Quero muito entender. A confusão, a meu ver, tem sido uma maneira de demonstrar-se amistoso, ávido pela aproximação, gentilmente, calorosamente. Pode, no entanto, ser também a timidez, que parece arrogância, mais ou menos como o suco que parece de limão, é de groselha, e tem gosto de tamarindo.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Essa coisa que parece tão besta nos outros.

Que desejo louco esse, que me toma as ideias e o almoço, o de querer transmitir o quanto eu sinto a tua falta... O que me resta, senão a fé infundada, exumada na lonjura das memórias? Essa coisa que parece tão besta nos outros, e tão vasta, incontestável e plena de virtudes, em mim. Seria um momento importante para o resto da mnha vida, o instante de te ver, sentir a tua pele, e tocar, com o nariz, o teu nariz, e respirar o teu próprio respirar, beijando o teu sorriso, lentamente. Certamente eu escreveria nas paredes do meu quarto, em letras grandes e coloridas de mil maneiras, a data e o fato: “O dia em que ela sentiu, o quanto eu sinto a falta dela.”